Os olhares marcavam o momento, dos lábios bebiam e matavam a sede de um dia passado. O corpo excitado, ondulava ao sabor do mar, enquanto seus seios batiam em mim como o mar num rochedo em busca da libertação.
Corpos quase despidos, corpos de tão definidos que até um cego conseguiria ver, a pureza de cada movimento, de cada momento marcado por cada suspiro. A vontade de te ter não é de agora, não é de depois. A vontade de ter foi ontem, é hoje e será amanhã até que um dia o mar possa acalmar. Talvez o futuro seja apenas um sonho que alimento, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia que passa sem que estejas a meu lado. Tu estás dentro de mim!
Onde estás? Será que ainda recordas? Será que ainda me posso oferecer para te aquecer nesta noite? Será que tenho água que possa matar a sede desse olhar? Será que eu ainda sou o que penso ser, ou sou apenas mais um que recorda seu corpo e que se vê na praia a morrer?
As palavras soltam, as pedras de uma calçada quase gasta, as pedras dessa calçada são como os sonhos que eu não tenho e invejo, a inveja é o sentir dessa esperança na vontade de acreditar no que escrevo nem que seja uma vez mais a sonhar.
Os ventos pararam, os corpos pararam, os lábios secaram e o temporal fez parar esse vento!
Corpos vestidos, olham-se numa distância de respeito, desejam-se nem que seja só um, neste espaço a escrever.
Dizem que recordar é viver… porque é que eu me sinto a morrer?
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