sábado, 22 de janeiro de 2011

Asperger

 

A vida é feita de pequenos momentos. Ajudem estas crianças, futuros adultos da nossa sociedade.


Para mais informações consultem http://www.apsa.org.pt/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pontos


Quantos pontos preciso de unir para teu corpo definir
Quantos pontos posso apagar sem que esses se possam notar
Quantas curvas posso traçar sem a perfeição atingir
Quantas dunas posso desenhar e recordar um abraço eterno entre a praia e o mar.

Quantas vozes se podem ouvir vindas de alto mar
Quantos corpos perdidos andam a naufragar
Quantos pensamentos voam sem cair
Quantas vezes se cai, quantas vezes nos dói sem sentir

Respostas de perguntas inacabadas
Presentes num cenário de uma noite prestes
A começar, a acabar com um sonho
Em que cresci, vivi e com ele vou acabar

Talvez um dia alguém possa perguntar
Quantos pontos para me definir
Talvez ainda mudo possa responder
Que a minha imagem é o dia em que a lua vi nascer!

Jogo perverso


Quando o tempo se transforma na sombra da verdade
O oculto ser que transporto, transborda para outra margem
Guiando-se pelas forças de uma corrente no Douro
À deriva deixa seu corpo seguir sem medo de se perder no teu mar

Sargaço, pedras, rochedos, hipotermia vai evitando
No manifestar de seu corpo quente que deixa seu rio caldo
Perdido, inconsciente náufraga
Na vontade e no desejo de uma praia encontrar

Ao longe um anjo que o tenta ajudar
A distância para seus braços não o consegue alcançar
No braço de uma guitarra percorre cada nota
E deixa que se oiça, a música de sua vida … Jogo Perverso

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Diz-me

Arte global - miguel-westerberg.nireblog.com

Diz-me há quanto tempo, que eu não corro o risco,
de escalar teu corpo, de me sentir lá no alto,
sentir a vertigem e o medo de cair,
vou soltar a corda e voar sobre a floresta.

Avistei tão perto, nesse denso mato,
uma e tão só clareira ao calor de uma fogueira,
a água que fervia por baixo desse umbigo,
e a sede que morria por não ter perto um rio.

Falta-me o ar, sinto que já mal respiro,
por aqui estar sentado neste espaço a escrever,
talvez sejam memórias, talvez seja um sonho,
que me vai tirando o sono, não me deixa adormecer,
talvez esta insónia sejas tu, que me recuso a esquecer.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Olhares


Quando penso em ser, tento ver o que um cego consegue sentir,
O que uma criança pensa sem mentir,
O que o homem afirma agora e o nega logo a seguir.
Quando penso em escrever, dito palavras sentidas e abafadas
Ocultas as vontades, porque não o dizer?
O medo do Não faz-me voltar até mim
Amo a vida como eu te amo a ti
Olho a vida em ti por quem sofri
Olho como um cego, sinto como um demente
A falta que o dia me trouxe é a mesma me levou de ti!

Dois Corpos


Dois corpos molhados, agarrados a um quase nada
Dois corpos inertes deitados lado a lado
Dois corpos perdidos na mesma cena
Dois corpos ausentes, dois corpos ausentes… de si mesmos!

sábado, 8 de janeiro de 2011

S.O.S.

Marcas de um passado


Os olhares marcavam o momento, dos lábios bebiam e matavam a sede de um dia passado. O corpo excitado, ondulava ao sabor do mar, enquanto seus seios batiam em mim como o mar num rochedo em busca da libertação.
Corpos quase despidos, corpos de tão definidos que até um cego conseguiria ver, a pureza de cada movimento, de cada momento marcado por cada suspiro. A vontade de te ter não é de agora, não é de depois. A vontade de ter foi ontem, é hoje e será amanhã até que um dia o mar possa acalmar. Talvez o futuro seja apenas um sonho que alimento, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia que passa sem que estejas a meu lado. Tu estás dentro de mim!
Onde estás? Será que ainda recordas? Será que ainda me posso oferecer para te aquecer nesta noite? Será que tenho água que possa matar a sede desse olhar? Será que eu ainda sou o que penso ser, ou sou apenas mais um que recorda seu corpo e que se vê na praia a morrer?
As palavras soltam, as pedras de uma calçada quase gasta, as pedras dessa calçada são como os sonhos que eu não tenho e invejo, a inveja é o sentir dessa esperança na vontade de acreditar no que escrevo nem que seja uma vez mais a sonhar.
Os ventos pararam, os corpos pararam, os lábios secaram e o temporal fez parar esse vento!
Corpos vestidos, olham-se numa distância de respeito, desejam-se nem que seja só um, neste espaço a escrever.
Dizem que recordar é viver… porque é que eu me sinto a morrer?